O Comissário

Diálogos

Quem conta: rafaelgarcia
Conta mais: pequenos detalhes mudam tudo.

Tenho 1,87m de altura e voar nunca é muito confortável. Estava indo de Dublin pra Hamburgo e seriam poucas horas de voo.

Assim que entrei no avião, o comissário de bordo me abordou, pediu pra ver minha passagem e disse na hora:
– Se o senhor preferir, pode sentar na saída de emergência. Tem mais espaço e está vazia.

Fiquei tão feliz e surpreso com a atitude, ainda mais de uma companhia aérea pequena.
Realmente, pensar nos outros faz diferença!

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No Táxi

Diálogos

Quem conta: julianacasemiro
Conta mais: eu esqueci meu celular naquele taxi.

Recém-chegada no Brasil da temporada 2011 de London, surgiu uma entrevista bacana de trabalho para fazer. Fiz todas as contas para chegar na hora, já que seria em São Paulo e eu estava em Santos, minha cidade natal.

O processo não era simples: casa > bus sobe serra > taxi > entrevista > taxi > bus desce serra > casa. Ufa!

Nem lembrava o que era uma entrevista de emprego séria, fui nervosa, com aquele frio na barriga mais pra medo e as primeiras etapas deram certo. Até que peguei um taxista com cara fechada e baixou um pouco a energia.
Não deu “boa tarde”.
Pior que isso não poderia ficar.

E eu fiquei na minha, falei a rua e fomos. Quando ele entendeu pra onde eu estava indo…
– Já trabalhei lá.
– Jura? E gostava?
– Muito. Naquela época… – e dissertou bastante sobre o tema. Achei ótima a história e ele também. Surpreendentemente sarcástico. Meu número no setor taxístico. Haha!
Aí ele perguntou de mim, qual era a vaga, se era o que eu queria etc.

Chegamos, desci do carro com um “Boa tarde, boa sorte, a vaga é tua, vá tranquila”.
Dois minutos depois me dei conta que esqueci o celular no carro dele. Voei no primeiro orelhão e descobri que não sabia meu telefone, o número tinha uma semana apenas.
Joguei essa missão no colo da minha mãe para não me atrasar e não ficar mais nervosa.

Saí da entrevista e liguei pra ela:
– Filha, você não vai acreditar! Ele não só pegou seu telefone e guardou, mas passou o telefone dele e falou pra você ligar a cobrar que ele te encontra na rodoviária (eu contei que voltaria naquele dia).

Lá era o ponto dele, seria mais fácil. Avisei todos os taxistas que estava do lado dentro, comprei um cartão e liguei.
Eis que ele chega… com uma passageira! Disse que explicou o motivo e ela topou desviar rapidinho. Gente do bem. Ou melhor: gente!

Todo mundo com pressa, meu ônibus ia sair, peguei correndo o celular. Agradeci e falei o que ele merecia saber:
– O mundo precisa de mais pessoas como você!
Ele sorriu e falou:
– Seu pai ligou, ligue de volta pra ele.

Ele atendeu minha mãe, meu pai e duas amigas. Disse que eu retornaria quando recebesse o celular de volta, extremamente educado.
Melhor que isso não poderia ser!

No avião

Diálogos

Quem conta: tonisader
Conta mais: de Londres pra Sydney são 20 horas de vôo, com 1 parada de 40 min na metade do caminho, e eu não gosto de voar.

No primeiro voo, pra Bangkok, meu assento se localizava entre um cara que ocupava 6/4 de poltrona e uma forma feminina que já estava embalada num sono profundo, com a cabeça coberta e tudo.

Sete horas depois, na madrugada de sei lá onde, todo mundo dormia descontroladamente e meu entretenimentozinho quebrou. Só sobrou desconforto e nóia. Fui pro banheiro pra espreguiçar, lembrei do segundo vôo e surtei.

Fui me controlar umas 2 horas depois e, decidido a usar o entretenimentozinho da menina se preciso, voltei pro meu lugar. Acontece que ela tinha acordado num bom humor de labrador e, assim que eu sentei, puxou assunto.

Ela era tailandesa e estava indo pra Bangkok visitar a família.
Esse papo sobre amenidades me trouxe de volta e foi suficiente pra eu chegar na Austrália com dignidade.

Sério, não sei o que eu faria sem essa ela. E ela nem imagina.

We are Stories – Eli

Diálogos

Quem conta: julianacasemiro
Conta mais: ela estava há muito tempo olhando para um ponto fixo e parecia preocupada.

Ao me ver aproximando…
– Água de coco?
– Não, obrigada. Vim ver se está tudo bem com você… Está com uma cara de preocupada!
Ela abre um sorriso enorme.
– Não, menina. Está tudo bem, graças a Deus! Estou com frio só, mas já vou colocar meu casaco.
– Estou com frio também.
– Mas não chovendo está ótimo! Ontem foi bom. Amanhã é minha folga.
– E o que você costuma fazer?
– Trabalhar, né? Mulher nunca para de trabalhar. Cuido da casa, do marido, filhos, netos…
– Netos??? – ela tinha uma pele muito bonita, parecia jovem e me chocou.
– Vários. De 1, 2… todas as idades.
– Que lindo!
– É, minha família é grande. Lotamos o casamendo do meu sobrinho no sábado, foi bonito de ver. Mas fui pra ver a noiva. Que maravilhosa!
– E foi boa a festa então?
– Alguns chegaram em casa às 3 de manhã. Eu fui embora à meia-noite. Jantei lá… teve churrasco… arroz… salada… farinha…
– Fiquei até com fome agora!
É… a vida é boa!
– É, sim. E se você está bem, vou embora tranquila.
– Vá, sim. Mas volte pra gente conversar mais!
– Com certeza! Bom dia pra você.
– Bom dia e vai com Deus!

Eli, vendedora de água de coco no Parque Ibirapuera, uma das peles mais incríveis que já vi e um sorriso que equivale a um abraço.

O Goleiro

Diálogos

Quem conta: marianamoura
Conta mais: algumas ajudas realizam sonhos.

Meu namorado joga futebol com os amigos em uma quadra perto da Rodoviária do Tietê. Um dia, havia um rapaz assistindo e os meninos o chamaram pra jogar junto. Ele disse que era goleiro.

Depois do jogo, foram todos tomar uma cerveja, inclusive ele. No bar, ele contou a sua história: é goleiro profissional, veio do Ceará e estava em São Paulo a caminho do Sul para um teste em um grande clube. Ao chegar na Rodoviária com mais 4 jogadores, descobriu que o agente pegou o dinheiro de todos e fugiu. Três rapazes conseguiram a passagem para o Sul, um voltou para o Ceará, mas ele quis ficar para correr atrás do seu sonho.

Voltou a falar com a Polícia e conseguiu ligar para o grande clube – teriam seletivas na segunda-feira.
Ele queria vender o que tinha na mala para conseguir dinheiro para se alimentar e ir. Meu namorado e os amigos nem pensaram duas vezes: juntaram o que puderam para comprar a passagem e ajudar com o resto.

Ele pegou o telefone de todos e prometeu que daria seu melhor nas seletivas para conseguir a vaga e pagá-los de volta.