Bia

Quem conta: déborabaisi
Conta mais: algumas pessoas são o caminho de volta pra casa.

Em um Natal que já havia perdido todo o brilho pra mim, recebi um carinho muito especial da Bia, criança (muuuito sapeca e hiperativa) pela qual fui responsável ontem, na festa das crianças da ONG Sonhar Acordado.

Ela ganhou uma boneca do Papai Noel, presente que pediu na cartinha. Quando perguntei o nome da boneca, ela abriu um sorrisão e disse:
– Débora, em homenagem a você.

No final, ganhei uma tiara com orelhinhas de macaco. Ela queria que ficasse comigo de lembrança, para que eu nunca esquecesse dela.
Obrigada por me fazer sorrir, Bia!

Anúncios

O Frentista II

Quem conta: anônima
Conta mais: sobre olhar e enxergar os detalhes.

Em um belo sábado fui comemorar um aniversário em uma granja. No caminho, tivemos que abastecer o carro. Desci pra comprar gelo e outras coisas e, ao voltar, fui pagar o frentista.

Caminhei até a máquina de cartão e esperei. Não estava olhando para o que estava fazendo… até que me peguei olhando pra ele e ele olhando pra mim.

Vi em seus olhos simplicidade, alegria, respeito. Olhar fundo, carinhoso, tranquilo. Tinha amor ali. Lembrei até da primeira vez que me apaixonei! Soltei um sorriso tímido, agradecida.

O dia, que não seria do meu agrado, ficou alegre em lembrar daquele olhar. Nos pequenos detalhes da vida está a felicidade que muitos precisam.

Os Girassóis

Quem conta: samara
Conta mais: sobre flores e sobre florescer.

Não faz muito tempo, conheci uma garotinha apaixonada por girassóis. E ela me ensinou como eu deveria plantá-los, a forma certa de cuidar, contou o tempo que levaria até ficarem grandes e bonitos.

Perguntei se poderia plantar dois no mesmo vaso, pra que não se sentissem sós. Ela me disse que não precisava, que eles sempre nasciam de três em três, então nunca estavam sozinhos.

Não procurei saber se era verdade, simplesmente porque gostei dessa versão de eterna companhia. Vira e mexe me pego rindo sozinha lembrando do tal girassol que nunca fica só.

Outro dia, voltando da cada dos meus pais pra cidade que moro, vi uma plantação de girassóis na beira da estrada e não resisti. É de pessoas assim que o mundo precisa, que mudam alguma coisa dentro da gente que nem nós mesmos sabemos explicar.

A Garrafa de Água

Quem conta: julianacasemiro
Conta mais: às vezes, a felicidade é uma pessoa.

Embarquei no avião e logo percebi que esqueci minha água. Precisava tomar um remédio na hora certa e chamei a aeromoça.

Ela disse que ainda estavam arrumando tudo, mas me traria um copo assim que desse.

De repente, uma mão levanta segurando uma garrafa de água na poltrona da frente e ouço:
– Se você não quiser esperar, toma aqui.

Fiquei surpresa e aceitei, brincando que não tinha nada contagioso. Ela riu e achou normal seu gesto.
Eu achei o máximo, até porque ela nem me olhou em momento algum.

Tem pessoas que são assim: acham normal serem especiais. Acho que felicidade é isso.
Que elas continuem voando por aí.

Do Topo da Capela

Quem conta: rafaelmlatisoma
Conta mais: volte mais vezes aos lugares que te fizeram amar a vida.

Sou nascido em Santos-SP e criado em Brasília. Voltei pra minha cidade quando iniciei a faculdade de arquitetura, onde descobri um amor e interesse muito grande por sua história. Logo arrumei estágio na Cúria Diocesana de Santos – o setor de arquitetura era responsável pela manutenção de suas igrejas, entre elas algumas das mais importantes do país, incluindo a menina dos olhos: a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat. Ela tem mais de 400 anos e são mais de 400 degraus até chegar no topo do Monte.

Dei sorte de entrar no estágio na época de sua última reforma. Aquilo pra mim não era trabalho… suas paredes descascadas revelavam seu sistema construtivo de pedra e cal, onde se podia observar até conchinhas no meio da “argamassa” que unia as pedras. O telhado bem comprometido por ataques de cupim foi desmontado e retirado, enquanto o novo era fabricado ali mesmo pelo carpinteiro Elias, uma grande inspiração. Carregava peças de 300kg com sua equipe sem reclamar uma só vez. O céu estava sempre ali, bastava olhar pra cima. No mesmo lugar que Elias montava tudo.

A impressão era de que lá era o ponto mais alto do mundo, que realmente quase nada mais separava a conexão da terra com o céu, com Deus, com o divino… detalhe importante: não sou católico praticante, mas tenho fé.

Pois bem, um ano se passou e aqueles meus dias “visitando a obra” (lê-se: lá em cima, sentado no telhado, olhando a vista, pensando na vida, fazendo contato com a minha fé) chegaram ao fim, mas o sentimento por aquele lugar não! Desde então, subir o Monte Serrat aleatoriamente, sem programação, simplesmente sentir que preciso ir agradecer a vida – de escada, pois faz parte da gratidão -, se tornou um ritual, um reencontro, um momento de absurda paz.

Há um ano, estava em um misto de sentimentos. Muito feliz pelas mudanças da vida, pelo crescimento diário, pela aceitação de um hobby que virou job – o @nalousa – e, ao mesmo tempo, carregava um medo, uma angústia, uma culpa danada de umas mancadas que fiz comigo mesmo. Foi então que, num dia nublado e seco, cinza e quente, chego em Santos pensando na minha felicidade angustiada.

Tudo que eu pensava era “Vá lá em cima, tenha seu momento, sobe aquela escadaria descarregando tudo e agradece”. E eu subi correndo, pensando, agradecendo, mas, também, me martirizando. Reforçava para mim mesmo que lá é onde tenho paz. Eu podia contar os degraus e os metros finais, até que avistei a porta da Capela… cheguei! Comigo, chegou a chuva também.

Silêncio.

Pude confirmar neste dia a energia daquele lugar, da minha identificação com ele e da fé que preciso carregar todos os dias!

*O Rafa e a Dani são as pessoas maravilhosas por trás de um dos projetos que mais admiro. Vale a visita no: http://www.nalousa.com